Ele não disse que te irias afundar, Ele não disse que tu irias desaparecer

Ele disse “Vamos para a outra margem, vamos para a outra margem".

 

O apelo da outra margem levou Agnès em 13 de Março de 2008

num último grito ao socorro de uma solidariedade universal !

Agnès, Como continuar a caminhada sem ti?

Tu tens a palavra tão justa e a atitude tão terna.
Tu amaste-nos tanto que deste a tua vida...

O sofrimento agora está iluminado pelo teu sorriso
para todos aqueles que se cruzaram contigo
Obrigada, Agnès. Laurence


 

Adriano,
Passei,
Apenas uma pequena luz acesa,
Na cozinha.
Estou aqui Adriano,
com as suas palavras
os seus silêncios
os seus risos
as suas revoltas
a sua fé soberana
o que Agnès me deixou na luminosidade de uma tarde de confiança,
no colorido de um chá de confidências
um magnífico presente de vida
um pedaço da sua dor
Se tu queres
Se também a podes ouvir, esta voz aqui
Estou aqui. Elodie.

13 de março de 2008


debut




Muita emoção sentida ao encontrar a recordação de Agnès na página internet que lhe é dedicada.

Obrigado àqueles que a fizeram e que permite restituir a quem a ler um pedaço desta luz que Agnès deixa a cada um, no segredo do encontro, porque o que ela habita e o que ela semeou continuará a germinar e a contagiar.

O amor não pode morrer.

Extravasa com Agnès, mesmo com a sua morte, que nos priva dela, mas que para ela permanece passagem para uma Vida que ela alcançou, a sua Origem, o coração a vibrar com o seu combate, Vida que certamente a preenche, mesmo que, pelo próprio amor que a prendeu aos seus, ela estará talvez atenta a que os seus que ela tanto amou e que hoje deixou se lhe juntem um dia para viver plenamente a eternidade.

Velará por eles, capaz agora de, como o disse de modo tão delicado o Rabino Haddad, de fazer a ligação entre o Céu e a Terra, o que a Igreja, de um modo tão belo, chama de “a comunhão dos santos”.

Ela deve estar feliz, Agnès, por ver na sua eternidade estes rostos que cruzou na sua vida passada, estas assinaturas tão numerosas e que deram à sua família uma palavra, um texto, um testemunho, uma fotografia, uma lágrima, um grito, uma paz, uma acção de graças, um gesto de afecto e de ternura, uma presença fraternal, um reconforto.

Todos esses corações que foram tocados pelo encontro com ela no seu caminho na terra.

Contágio de vida que continuarão a fazer viver todos os que a choram. E eu aqui estou.

Quantas vezes me alimentou a chama interior neste abraço tão caloroso quando nos cruzávamos nos Ulis ou em Orsay, onde lia sempre no seu olhar esta admiração perante estes encontros com o Rabino Haddad onde dizia gostar tanto de ir.

Tinha uma energia de vida e uma enorme alegria colorida por esta sincera amizade que sempre me ofereceu, sempre dominada por esta bondade que lia no seu olhar, com essa fragilidade que mostrava a sua grandeza de alma e a sua impressionante humildade.

É a expressão deste olhar que conservo com emoção, como um tesouro.

Ao Adriano, que encontrei, pela primeira vez, em Orsay este ano, encontro que se mantém tão querido, aos seus filhos que não conheço, pois não vi os seus rostos, apenas a voz de dois deles, esta quinta-feira do adeus às palavras daqueles com que tanto vibrei,

envio-vos esta mensagem de profunda simpatia esperando que este enorme desgosto da separação dará lugar, a pouco e pouco, a um novo recomeço sobre esta estrada da vida ou a presença-ausência de Agnès, por certo misteriosa e impalpável, mas real, continuará a acompanhar-vos e a rodear-vos de todo o seu amor.

Elisabeth Martin

Je suis triste, Adriano, et malheureux.

Quand on souffre, on ne sait pas quoi dire, on se tait. Comme ta Céline, hier soir, j'ai seulement envie de t'entourer les épaules de mes bras. Elle pleure sa maman, toi, la femme de ta vie. J'ai mal en y pensant.

Simplement je témoigne auprès de toi avec affection, de la joie de nos rencontres vécues avec vous deux. J'aimais cette liberté de pensée qu'elle montrait toujours, avec juste ce qu'il fallait d'humour pincé
sans rire quand elle avançait une critique.

A moi aussi elle va me manquer, tu sais, Adriano, et j'en ai la gorge serrée. Jean-François

Se ti soubesses, todos estes mails trocados pelos amigos estas palavras de ternura que rodearam Agnès, as perguntas feitas...

Decidimos oferecer-lhe, oferecer-vos, em conjunto, não flores pela quarta-feira, mas uma árvore, uma oliveira: como um desafio ao tempo, à memória, mensagem e símbolo de esperança, de paz, de fé e de sol.

A nossa escolha recaiu sobre uma oliveira de 25 anos que poderia ser plantada no vosso jardim e estar lá, simplesmente lá, na dúvida e na oração, para te lembrar que estamos lá, à nossa maneira. Estás de acordo, Adriano?

Todos os meus pensamentos estão com o início desta Primavera que chora, mas por Agnès saúdo, cada raio de sol. Elodie

 

 

 

Estou tão comovido contigo, com vocês. Como sabes, a oliveira, que alegria, é uma árvore tão simbólica para as minhas raízes portuguesas,
Agnès ficaria tão orgulhosa. Mas tu sabes, não sei fazer nada com as minhas mãos, plantá-la... será que a terra é boa... só sei regar a oliveira, a multidão humana dos pobres, daqueles que choram, gritam e têm fome. O vosso plano comove-me tanto!!! Adriano

 

debut