Agnès, foi posto um fim à tua vida na terra, e sem ti, a lutadora, estamos parados.
Mas não é uma pausa antes de uma nova viagem onde tu nos vais levar?
Agnès, tu não conseguiste resistir a uma certa tempestade e é como uma árvore que se parte e nos esmaga na sua queda.
Mas tu estás, também, em todos os grãos que semeaste em nós para os fazer germinar.
Agnès, já não ouviremos o teu riso e a tua voz empolgante.
E agora está um silêncio opressivo que grita a tua revolta.
Mas és tu, também, que nos fazes ouvir e avaliar a frágil música da vida.
Obrigado Agnès. Pierre
Fúria,
No vazio de um silêncio
Fé
No vazio da ausência
Tu, mulher de Bondade
De Paixão
E de Terror
Nas ondas errantes
O coração abre-se
Sangra de recordações
As feridas de infância
As rupturas incertas
Sem futuro
Sobre um pico de sofrimento
A amargura das cóleras
As palavras no ar
Varridas de um reverso
Com lágrimas hipócritas
Mão sobre o coração
Mão sobre a terra
Elas ainda querem
Com flores
Abraçar-te
Respirar o teu fôlego
Tu eras como eras
Uma mulher firme
Uma mulher coragem
Uma mulher fúria
Tu foste e continuarás
Com esta bondade clara
A palma da mão aberta
Ao sol
À vida
O coração escondido
Secreto
Algures dilacerado
Combatendo toda a tua vida
A ignorância
Os fanatismos
A intolerância
Mulher empenhada
Tu o eras
Muito mais que nós
Possas tu lá onde estás
Cruzar todos os caminhos da esperança
Da Fé plural, e Renascer
Elodie, 13 de Março de 2008
Agnès, porque partiste assim?
Durante o período da Quaresma antes dos Ramos?
Desde há muito tempo que seguias o caminho da cruz
E os teus passos tropeçaram diversas vezes.
Toda a tua vida foi do lado das “mulheres santas”
A colher as palavras da verdade e a curar as feridas
De todos os que encontravas.
Chamavas a atenção daqueles que se julgavam justos
Esquecendo-se dos mais pequenos e apoderando-se dos tesouros da fé.
Ousaste franquear as portas da Judeia
E aventurar-te no exterior da Igreja
Ao encontro de outros crentes e descrentes.
Sabes quantos homens e mulheres
Ajudaste a carregar a cruz?
Quantas refeições serviste, quantas mesas puseste,
E quantas missas animaste?
Então, diz-nos porque partiste assim?
Foi preciso que tu, também, assumisses a parte da dor
Que existe em cada um de nós.
Tu sofrias tanto com o egoísmo, a mesquinhez,
A indiferença e a confusão do nosso mundo
Que atingia os teus e os magoava.
Tu não te podias reduzir à mediocridade e sacrificaste-te
Num gesto tão brutal que siderou a todos.
Nós estamos aqui, Agnès e pedimos-te perdão
Por termos carregado demais o teu barco e de não te ter sabido parar
Perdão pelas nossas ofensas
como te perdoamos por nos ter deixado.
Acreditamos ma misericórdia de Deus
Na comunhão dos Santos
Que nos une para além da morte
E que nos deixa com a esperança
de que um dia te encontraremos.
Amén. Uma amiga
Agnès que criou La Merci, em 1970,
(segunda comunidade do Arco em França, depois Daybreak - Steven e Ann)
com Adriano DA SILVA, seu marido, juntou-se ao “Cœur du Père” em 13 de Março passado.
Jean Vanier, Bill Clark, e tantos outros do “l’Arche” e de outros locais,
estiveram presentes neste A-DEUS a Agnès.
Rezámos em conjunto.
Podem transmiti-lo nas vossas comunidades para VER – ESCUTAR – PARTICIPAR…REZAR…
Regresso de uma longa ausência e recebi
hoje a tua mensagem.
Soube da passagem de Agnès...Não tive
a oportunidade de a conhecer bem mas
beneficiei da sua, da vossa, bela herança
deixada na Merci.
Por isso estarei sempre infinitamente
reconhecido.
Suponho que irás agora aprender a
viver... de modo diferente.
Será difícil... Então com ela, com todos, rezo por ti.
Repito todo o meu afecto, Adriano.Patrick
Agnès...No livro do profeta Michée,
À pergunta " que sacrifício agrada a Deus ",
Deus responde
Faço-te saber, homem, o que está bem,
o que Yahvé pretende de ti:
nada mais do que fazer justiça,
amar a bondade e andar humildemente com o teu Deus. (Mi 6,8)
Era a própria essência da vida de Agnès:
vida inteiramente dada, à sua família, aos seus amigos, à sua igreja...
e também aos mais fracos.
Ela tinha adquirido esta liberdade dos filhos de Deus
de passar além das convenções,
preconceitos, rigidez, para chegar ao essencial:
o amor ao próximo, e o tecer dos laços da fraternidade.
Agnès estava convencida de que a paz na terra passava pelo inter-religioso:
Encontrar o outro na sua diferença, tanto cultural como religiosa, e aceitá-lo.
Para fazer cair barreiras.
Para que cessassem o medo e as reacções de confusão.
Agnès abriu-nos o caminho ao criar o grupo inter-religioso
" Inter Accueil em Essonne ".
Caminho que nos levou a outros grupos,
em Ulis no distrito,
e a ir ao encontro dos residentes do Foyer Adoma de Ulis.
A sua paixão e o seu entusiasmo eram preciosos para todos nós.
O sofrimento levou-a.
O vazio que nos deixa é enorme.
Embora caótico, prosseguiremos este caminho.
Devemo-lo, em memória de Agnès.
E como filhos de um mesmo Pai, somos todos irmãos na humanidade.
Obrigado. Agnès.Dany
Atento ao outro Tu és como um
Apóstolo.
Agarrado vivo à vida
Tu sabes ser mais do que um amigo.
Sem uma palavra, apenas um olhar,
Ávido de dar a todo o ser
abatido.
E tu espantas-te como uma criança,
Com o teu sorriso tranquilo.
Eu não faço nada, não sei nada
E contudo sim, tu semeias o bem.
Aquele que não se pode comprar
Aquele que insufla a santidade,
a bondade e a dignidade.
À imagem de Jesus,
Tu não te sabes revoltar
Senão contra as palavras sem nexo
Transportando na tua vida
Todos os fardos dos amigos
Sem nunca ousares lastimar-te
Das realidades e tuas preocupações.
Abatido com a partida de Agnès
Tu vais co-celebrar missas
Continuando este destino
Escolhido a dois para servir Deus.
L.(uma amiga)
Obrigado a ti Adriano
Por seres como a clave de Dó
Uma referência para a harmonía
Um guia para a vida.
Obrigado ao teu par
Que insufla nos outros
Desde há quarenta anos
A dádiva de si aos outros
O acolhimento aos mais desprovidos
O Evangelho inculcado na vida.
E desta dádiva, nasceram os vossos filhos
Incrédulos e inquietos de verem os seus
pais
Sempre disponíveis para os outros
Seguindo o caminho dos Apóstolos.
Certamente muito duro para eles
Terem pais brilhantes
Escolheram o caminho da piedade
Acreditando encontrado o vosso amor
Sem verem que vocês eram
Para eles a força deste amor.
Agnès partiu
No caminho da vida verdadeira
Sofrendo com o abandono
Como o pobre desprovido
Que não ousa chamar o seu marido
E os filhos estão cansados
Mas os vossos filhos estão lá
E esperam que tu
Lhes insufles um caminho.